Essa atividade convida as crianças do 1º ano a criar juntas um mural coletivo cheio de cor e significado. A ideia é simples e poderosa: cada aluno recebe uma folha colorida e desenha algo que ama fazer, uma lembrança especial ou uma crença da sua família. Não precisa escrever muito — o desenho já conta a história.
Depois de desenhar, cada criança apresenta brevemente o que fez para a turma. O professor conduz esse momento com leveza, fazendo perguntas simples como 'O que você desenhou?' e 'Por que isso é especial para você?'. Os colegas ouvem, respeitam e, muitas vezes, descobrem que têm coisas em comum com quem nunca imaginavam.
Essa troca é o coração da atividade. Os alunos aprendem que cada família tem seus jeitos, suas histórias, suas crenças — e que isso é bonito, não estranho. O professor aproveita esses momentos para destacar tanto as semelhanças quanto as diferenças, mostrando que as duas coisas nos tornam uma turma mais rica.
Ao final, todos os desenhos são fixados juntos numa parede ou mural, formando uma grande colcha de retalhos visual da turma. Cada folha colorida representa uma criança, e juntas elas formam algo maior. Esse símbolo concreto ajuda os alunos a entenderem, de forma visual e afetiva, o que significa respeito, acolhimento e pertencimento.
A atividade trabalha as habilidades EF01ER01, EF01ER05 e EF01ER06 da BNCC, conectando o Ensino Religioso com o desenvolvimento socioemocional e a valorização da diversidade cultural. Tudo isso sem tecnologia, com materiais simples e muita escuta. É uma aula que fica na memória — tanto dos alunos quanto do professor.
O foco dessa aula está em ajudar as crianças a se reconhecerem como sujeitos únicos, com histórias e sentimentos que merecem ser ouvidos e respeitados. Quando cada aluno apresenta seu desenho, ele pratica a expressão de si mesmo — o que é desafiador para muitas crianças dessa faixa etária. Ao mesmo tempo, quem escuta aprende algo fundamental: a história do outro tem valor, mesmo que seja diferente da sua. Esse movimento de falar e ouvir, repetido ao longo da roda de apresentações, vai construindo na turma uma cultura de respeito que vai além da aula de Ensino Religioso.
O conteúdo dessa aula parte do que as crianças já conhecem — elas mesmas. Ao trazer para a escola algo da sua vida pessoal e familiar, os alunos percebem que o que vivem em casa tem valor no ambiente escolar também. Isso cria uma ponte entre o mundo de dentro e o mundo de fora da sala de aula. O professor não precisa apresentar conceitos abstratos: a própria roda de apresentações já ensina o que são sentimentos, memórias e crenças de forma concreta e viva.
A atividade usa a abordagem mão-na-massa porque, para crianças de 6 e 7 anos, aprender fazendo é muito mais eficaz do que ouvir explicações longas. O desenho é a linguagem principal — acessível para todos, independentemente do nível de escrita. A roda de apresentações garante que cada criança tenha um momento de protagonismo, enquanto o professor circula, apoia e medeia as falas. A construção coletiva do mural ao final transforma o produto individual em algo compartilhado, reforçando o senso de pertencimento à turma.
A aula foi pensada para acontecer em 50 minutos, com uma sequência clara de três momentos: criar, compartilhar e construir juntos. O tempo de desenho é individual e tranquilo; o de apresentação é coletivo e animado; e o de montagem do mural é colaborativo e simbólico. Essa progressão ajuda as crianças a entenderem que o trabalho começa nelas e termina na turma.
Momento 1: Apresentação da proposta com entusiasmo (Estimativa: 5 minutos)
Inicie a aula reunindo todos os alunos em roda no chão ou em suas cadeiras dispostas em círculo. Use um tom animado e acolhedor para apresentar a proposta do dia. Diga algo como: 'Hoje nós vamos criar juntos um mural muito especial! Cada um de vocês vai desenhar algo que ama, uma lembrança bonita ou algo que a sua família faz e que é muito especial para você.' Mostre as folhas coloridas para a turma e pergunte: 'Que cor você quer escolher?' — esse pequeno gesto de escolha já gera engajamento e senso de pertencimento. É importante que você demonstre genuíno entusiasmo, pois crianças de 6 e 7 anos respondem muito bem ao estado emocional do professor. Explique de forma simples e sequencial o que acontecerá: primeiro vão desenhar, depois cada um vai mostrar o desenho para a turma e, no final, todos os desenhos vão formar um grande mural colorido na parede. Evite instruções longas; use frases curtas e, se possível, mostre com gestos o que será feito. Distribua as folhas coloridas e os materiais de desenho ao final deste momento.
Momento 2: Criação individual — o desenho livre (Estimativa: 15 minutos)
Com os materiais em mãos, peça que cada aluno desenhe livremente em sua folha colorida. Reforce que não existe certo ou errado: 'Desenhe o que vier no seu coração!' Circule pela sala observando os alunos com atenção e carinho. Faça perguntas suaves e individuais para estimular quem estiver com dificuldade de começar, como: 'O que você mais gosta de fazer com a sua família?' ou 'Tem alguma comida especial que só a sua casa faz?' Permita que os alunos trabalhem em silêncio ou em conversa baixa com o colega ao lado — o importante é que o ambiente seja tranquilo e acolhedor. Observe se os alunos estão conseguindo expressar algo pessoal no desenho, mesmo que de forma simples. Esse é um dos indicadores de aprendizagem desta aula. Não corrija nem oriente o conteúdo do desenho; respeite a expressão de cada criança. Caso algum aluno termine antes do tempo, incentive-o a acrescentar mais detalhes ou cores ao desenho.
Momento 3: Roda de apresentações (Estimativa: 20 minutos)
Reúna a turma novamente em roda. Explique que agora cada criança vai mostrar o seu desenho e contar um pouquinho sobre ele. Inicie você mesmo mostrando um exemplo — pode ser um desenho simples feito rapidamente — para que os alunos entendam o que se espera deles. Conduza as apresentações com perguntas simples e acolhedoras, como: 'O que você desenhou?' e 'Por que isso é especial para você?' Não pressione nenhuma criança a falar muito; uma frase curta ou até apontar para o desenho já é válido. É importante que você valorize cada apresentação com expressões de acolhimento, como 'Que lindo!' ou 'Que história especial!'. Após cada apresentação, convide a turma a dar uma salva de palmas. Aproveite os momentos de apresentação para destacar tanto as semelhanças quanto as diferenças entre as histórias: 'Olha, a Maria também gosta de comer arroz com feijão, igual ao João!' ou 'A família do Pedro tem um costume diferente — e que bacana é isso!'. Observe se os alunos estão escutando com atenção e sem interromper os colegas — esse é outro indicador de aprendizagem importante. Caso a turma seja grande e o tempo fique apertado, organize as apresentações em pequenos grupos ou selecione alguns alunos para apresentar nesta aula, garantindo que todos tenham a oportunidade em outro momento.
Momento 4: Construção coletiva do mural (Estimativa: 10 minutos)
Convide todos os alunos a se levantarem e se aproximarem da parede ou quadro destinado ao mural. Explique que agora os desenhos de todos vão se juntar para formar algo maior: 'Cada folha colorida é um pedacinho de cada um de vocês — e juntas, elas formam a nossa turma!' Permita que cada criança cole ou fixe o próprio desenho na parede com a fita adesiva, com sua ajuda quando necessário. Organize os desenhos de forma que fiquem próximos uns dos outros, formando uma colcha de retalhos visual. Ao final, dê um passo atrás com a turma e contemple o mural juntos. Faça uma fala de encerramento emocionante e simples: 'Olha que turma linda e especial nós somos! Cada um tem a sua história, e juntos somos ainda mais ricos.' Finalize com a autoavaliação emocional: mostre três carinhas (feliz, neutro, triste) desenhadas no quadro ou em cartões e pergunte como cada criança se sentiu durante a atividade. Os alunos podem apontar ou receber uma carinha impressa para colar em uma folha. Registre mentalmente ou em seu caderno as reações da turma — esse termômetro emocional é valioso para planejar os próximos momentos da sua prática pedagógica.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Você está fazendo um trabalho incrível ao acolher uma turma tão diversa! Aqui vão algumas sugestões práticas e viáveis para tornar essa aula ainda mais inclusiva, sem sobrecarregar sua rotina:
Para alunos com TDAH: Durante o Momento 2, posicione esses alunos em locais com menos distração visual e sonora, de preferência próximos a você. Ofereça instruções uma de cada vez e, se necessário, reapresente a proposta individualmente com frases bem curtas. Durante a roda de apresentações (Momento 3), permita que o aluno com TDAH apresente entre os primeiros, antes que a agitação natural da espera aumente. Na autoavaliação com carinhas (Momento 4), faça essa etapa individualmente e em voz baixa com esses alunos, evitando que a dispersão do grupo interfira na resposta deles.
Para alunos com TEA Nível 2: Antecipe a proposta da atividade antes da aula, se possível, contando brevemente o que vai acontecer — isso reduz a ansiedade diante do novo. Durante o Momento 2, aceite qualquer forma de expressão no desenho, sem exigir que o tema seja exatamente o proposto. Na roda de apresentações, não exija fala oral: apontar para o desenho, usar um gesto ou simplesmente mostrar a folha já conta como participação plena. Valorize esse momento com o mesmo entusiasmo que você dedica às demais apresentações.
Para alunos com TEA Nível 3: Conte com o apoio do cuidador ou auxiliar, se houver, para mediar a participação desse aluno nos momentos coletivos. Permita que o aluno participe do Momento 2 no próprio ritmo, mesmo que o desenho seja diferente do esperado. Na fixação do mural (Momento 4), guie a mão do aluno para colar o desenho, transformando esse gesto em um momento de vínculo e pertencimento. O simples fato de ter o desenho no mural junto com os colegas já é uma experiência poderosa de inclusão. Lembre-se: pequenas adaptações fazem uma diferença enorme na vida dessas crianças — e você não precisa ser perfeito, precisa ser presente.
A avaliação dessa atividade precisa ser leve e observacional — afinal, estamos falando de crianças de 6 e 7 anos em uma aula de expressão e acolhimento. O professor não vai dar nota, mas vai observar e registrar o que cada aluno demonstrou durante a aula. Duas abordagens funcionam bem aqui: a observação com registro e a autoavaliação com carinha. Ambas são simples, rápidas e não exigem material extra elaborado.
Os materiais escolhidos são intencionalmente simples. Folhas coloridas, giz de cera e fita adesiva são suficientes para que a atividade aconteça com qualidade. A ausência de recursos digitais não é uma limitação — é uma escolha pedagógica que coloca o foco na expressão manual e na interação presencial entre as crianças. O mural em si se torna o principal recurso visual da aula, construído pelos próprios alunos.
Essa turma tem alunos com TDAH e TEA nos níveis 2 e 3 — e isso pede atenção, mas não significa que a atividade precisa ser completamente diferente para eles. O desenho livre já é uma estratégia inclusiva por natureza, porque não exige um produto específico. O professor pode fazer pequenos ajustes que fazem grande diferença: sentar o aluno com TDAH mais próximo, dar instruções uma de cada vez, e permitir que o aluno com TEA apresente apontando para o desenho em vez de falar. O importante é que todos participem do mural — cada folha fixada na parede representa pertencimento.
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