Nesta aula, os alunos vão mergulhar no universo das figuras de linguagem de um jeito bem diferente do tradicional. A ideia não é decorar definições no caderno — é perceber que comparação, metáfora, metonímia, personificação e hipérbole já fazem parte da vida deles, aparecendo em músicas que ouvem, em tirinhas que leem e em expressões que usam todo dia sem perceber. O professor começa a aula com exemplos concretos e próximos da realidade dos alunos, como trechos de letras de funk, sertanejo ou rap, além de expressões populares do tipo 'tô morrendo de fome' ou 'ela tem um coração de pedra'. Cada figura é apresentada com pelo menos dois exemplos do cotidiano antes de qualquer definição formal. Depois dessa introdução, os alunos recebem cartões impressos com frases e trechos literários variados. Em duplas, eles precisam identificar qual figura de linguagem está presente e justificar a escolha em voz alta para o professor ou para a turma. Essa parte oral é essencial: o aluno aprende a argumentar, a ouvir o colega e a rever sua própria interpretação. Na etapa final, cada aluno cria pelo menos um exemplo próprio de cada figura no caderno, usando situações da própria vida. Essa criação autoral é o que torna o aprendizado mais significativo. A aula toda acontece sem recursos digitais — só cartões, caderno, quadro e muita conversa. O professor circula pela sala durante a atividade em duplas, mediando dúvidas e incentivando os alunos a pensarem antes de dar a resposta. A proposta é que, ao final da aula, os alunos saiam sabendo reconhecer e criar figuras de linguagem, não apenas repeti-las.
O foco dessa aula é fazer com que os alunos consigam ir além do reconhecimento mecânico das figuras. A ideia é que eles entendam por que uma figura de linguagem é usada — qual efeito ela causa em quem lê ou ouve. Quando o aluno percebe que 'o vento sussurrou meu nome' cria uma imagem diferente de 'o vento soprou forte', ele começa a entender como a língua funciona de verdade. Criar exemplos próprios é o que consolida esse entendimento, porque exige que o aluno tome decisões sobre o que quer expressar e como.
O conteúdo dessa aula parte do que os alunos já conhecem — a linguagem do dia a dia — para chegar ao conceito formal das figuras. Não faz sentido começar pela definição de metonímia se o aluno nunca parou para pensar que 'assistir à Copa pelo Brasil inteiro' é uma figura de linguagem. O caminho é do concreto para o abstrato, do exemplo para o conceito. Isso torna o conteúdo mais acessível e diminui a resistência que muitos alunos têm com gramática.
A aula combina exposição dialogada com atividade prática em duplas e produção individual. O professor não apenas explica — ele provoca. Antes de nomear cada figura, lança a pergunta: 'O que vocês acham que o autor quis dizer com isso?' Essa postura faz com que os alunos pensem antes de receber a resposta. A atividade com cartões garante que todos participem ativamente, e a justificativa oral treina a argumentação. Criar exemplos no caderno fecha o ciclo: o aluno sai da posição de receptor e assume o papel de produtor de linguagem.
A aula de 50 minutos está organizada em três momentos encadeados. O primeiro é de apresentação e provocação, onde o professor traz os exemplos e conduz a discussão inicial. O segundo é a prática em duplas com os cartões, que é o coração da aula. O terceiro é a criação individual e o fechamento coletivo. Cada momento tem um tempo estimado, mas o professor pode ajustar conforme o ritmo da turma — se a discussão dos cartões estiver muito rica, vale estender um pouco.
Momento 1: Apresentação das Figuras de Linguagem com Exemplos do Cotidiano (Estimativa: 15 minutos)
Inicie a aula sem apresentar nenhuma definição formal ainda. Comece escrevendo no quadro expressões do dia a dia que os alunos certamente já usaram ou ouviram, como 'tô morrendo de fome', 'ela tem um coração de pedra', 'o sol sorriu hoje', 'bebi um oceano de água' e 'ele corre como um raio'. Pergunte à turma: 'Alguém aqui já disse que estava morrendo de fome? Vocês realmente achavam que iam morrer?' Permita que os alunos respondam livremente e aproveite as falas deles para introduzir a ideia de que a língua portuguesa é cheia de recursos expressivos que usamos sem perceber. Só depois de explorar os exemplos oralmente, escreva no quadro o nome de cada figura ao lado da frase correspondente: hipérbole, metáfora, personificação, comparação e metonímia. Para cada uma, apresente ao menos dois exemplos concretos antes de qualquer definição — use trechos de letras de músicas populares conhecidas pelos alunos, como funk, sertanejo ou rap, adaptando conforme o perfil da turma. É importante que você mantenha um ritmo dialogado, fazendo perguntas como 'O que vocês acham que o cantor quis dizer com isso?' ou 'Isso é literalmente verdade ou é uma forma de falar?'. Ao final dos exemplos de cada figura, formalize brevemente o conceito com uma frase curta e direta, que pode ser registrada no quadro para consulta durante a aula. Observe se os alunos demonstram reconhecimento espontâneo das figuras nas expressões apresentadas — isso é um bom indicador de que a introdução está sendo eficaz.
Momento 2: Atividade em Duplas com Cartões Impressos e Justificativa Oral (Estimativa: 20 minutos)
Organize os alunos em duplas antes de distribuir os cartões. Cada dupla deve receber um conjunto de 6 a 8 cartões impressos, cada um trazendo uma frase ou trecho com uma figura de linguagem. Explique a tarefa com clareza: a dupla deve ler cada cartão, identificar qual figura de linguagem está presente e preparar uma justificativa oral para compartilhar com o professor ou com a turma. Reforce que não basta falar o nome da figura — é preciso explicar por quê. Por exemplo, se o cartão traz 'meu coração é uma pedra', a dupla deve ser capaz de dizer que é metáfora porque compara o coração a uma pedra sem usar 'como' ou 'parece'. Circule pela sala durante toda essa etapa, mediando as discussões sem dar a resposta pronta. Quando uma dupla estiver em dúvida, faça perguntas que ajudem a pensar: 'Tem algum conectivo de comparação aqui?', 'Isso poderia ser verdade literalmente?', 'Quem está fazendo uma ação humana nessa frase?'. É importante que você priorize visitar as duplas com alunos que apresentam mais dificuldade, garantindo que estejam engajados e compreendendo a proposta. Ao final dos 20 minutos, selecione mentalmente duas ou três duplas com respostas interessantes — certas ou com erros produtivos — para a socialização do próximo momento. Essa etapa é avaliativa: observe se o aluno identifica corretamente a figura e se consegue apresentar ao menos um argumento baseado no texto para justificar a escolha.
Momento 3: Criação de Exemplos Próprios no Caderno e Fechamento Coletivo (Estimativa: 15 minutos)
Peça que cada aluno abra o caderno e crie, individualmente, pelo menos um exemplo próprio de três das cinco figuras estudadas. Oriente que os exemplos devem partir de situações reais da vida deles — algo que aconteceu no recreio, em casa, com amigos ou na rua. Escreva no quadro uma instrução simples como referência: 'Crie uma frase usando [nome da figura] sobre algo da sua vida.' Circule pela sala enquanto os alunos escrevem, lendo os exemplos e fazendo comentários breves e encorajadores. Observe se o exemplo criado corresponde à figura indicada e se a situação escolhida demonstra compreensão do conceito. Nos últimos 5 minutos, conduza um fechamento coletivo rápido: convide dois ou três alunos voluntários para ler seus exemplos em voz alta. Após cada leitura, pergunte à turma se concordam com a classificação e por quê. Permita que outros alunos complementem ou discordem com justificativa. Encerre a aula reforçando a ideia central: as figuras de linguagem não são invenções dos livros didáticos — elas já fazem parte da fala e da escrita de todos. É importante que o fechamento seja feito de forma leve e celebratória, valorizando a criatividade dos alunos e reforçando a confiança deles no uso da língua.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Você está diante de uma turma diversa, e isso é uma riqueza — mesmo que, no dia a dia, exija atenção e criatividade. Veja algumas sugestões práticas e viáveis para apoiar os alunos com deficiência intelectual e com TDAH ao longo dessa aula:
Para alunos com deficiência intelectual: Prepare um roteiro de apoio impresso simples, com o nome de cada figura, uma frase-exemplo e uma palavra-chave que ajude na identificação (por exemplo: 'Hipérbole = exagero; Metáfora = comparação direta sem como'). Esse recurso pode ficar sobre a mesa do aluno durante toda a aula, funcionando como um apoio visual de consulta. Durante a atividade em duplas, procure formar esse aluno com um colega paciente e colaborativo. Ao circular pela sala, pare um pouco mais nessa dupla e faça perguntas muito diretas e concretas, como 'Tem a palavra como nessa frase?' ou 'Alguém ou algo está fazendo uma coisa que só humano faz?'. Na etapa de criação no caderno, reduza a exigência se necessário: um exemplo de uma ou duas figuras já é um avanço significativo. Valorize qualquer produção autoral, por menor que seja.
Para alunos com TDAH: A alternância de atividades nessa aula já favorece muito esses alunos — há movimento, fala, escuta e escrita em momentos diferentes. Para potencializar isso, posicione o aluno com TDAH em uma dupla próxima à sua mesa ou em um local com menos distrações visuais. Durante a exposição inicial, envolva esse aluno fazendo perguntas diretas a ele — isso ajuda a manter o foco sem constrangimento. Na atividade com cartões, o formato físico e manipulável já é um recurso em si: o aluno pode organizar os cartões na mesa, virar, separar por figura, o que ajuda a canalizar a energia. Se perceber que o aluno está disperso durante a criação no caderno, aproxime-se, leia o que ele já escreveu e faça uma pergunta curta para retomar o engajamento, como 'E aí, qual figura você vai criar agora?'. Pequenos estímulos verbais e presença próxima fazem grande diferença para esses alunos sem precisar de nenhum recurso extra.
A avaliação dessa aula é principalmente formativa — o professor observa e registra o que os alunos conseguem fazer durante a própria aula, sem necessidade de prova formal. Duas estratégias se complementam bem aqui. A primeira é a observação durante a atividade em duplas: o professor circula, escuta as justificativas e anota quem está conseguindo identificar e argumentar com segurança e quem ainda confunde os conceitos. A segunda é a análise dos exemplos criados no caderno ao final da aula. Para alunos com deficiência intelectual, a avaliação pode focar em apenas duas ou três figuras, com critérios mais simples. Para alunos com TDAH, vale considerar a participação oral como evidência de aprendizagem, mesmo que o registro escrito esteja incompleto.
Todos os recursos dessa aula são físicos e de baixo custo. Os cartões são o material central — podem ser impressos em papel comum e cortados antes da aula. Cada conjunto de cartões para uma dupla deve ter entre seis e oito frases variadas, cobrindo todas as figuras estudadas. O quadro é usado para registrar os exemplos trazidos pelo professor na abertura da aula, facilitando a visualização para todos. Não há necessidade de recursos digitais, o que torna a aula viável em qualquer contexto.
Trabalhar com turmas que têm alunos com deficiência intelectual e TDAH ao mesmo tempo exige atenção, mas não precisa ser complicado. A boa notícia é que a estrutura dessa aula já favorece a inclusão: a atividade em duplas reduz a pressão individual, os exemplos do cotidiano tornam o conteúdo mais acessível e a justificativa oral permite que alunos com dificuldade na escrita demonstrem o que aprenderam. O professor deve ficar atento a sinais de frustração ou dispersão, especialmente durante a atividade com cartões. Sentar o aluno com TDAH próximo ao professor e garantir que o aluno com deficiência intelectual tenha um colega parceiro de confiança são ajustes simples que fazem diferença real.
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