Nesta atividade, os alunos do 7º ano vão colocar a mão na massa para entender como a propaganda funciona de verdade. A ideia começa com uma análise coletiva de propagandas impressas reais: os alunos vão observar slogans, identificar argumentos, perceber como as imagens reforçam a mensagem e discutir a quem cada peça se dirige. Essa etapa abre espaço para uma conversa honesta sobre persuasão, consumo e como somos influenciados todos os dias sem perceber.
Depois dessa análise, os grupos recebem um produto fictício e o desafio de criar uma propaganda completa usando papel, canetas coloridas e recortes de revistas. Cada grupo precisa pensar no público-alvo, escolher argumentos convincentes, criar um slogan marcante e montar um layout visualmente atrativo. Não há computador nem celular: tudo é feito com as mãos, o que estimula a criatividade e a colaboração presencial.
A atividade termina com uma exposição das propagandas na sala. Cada grupo apresenta suas escolhas e explica por que usou determinados recursos. Os colegas debatem quais estratégias foram mais eficazes e por quê. Esse momento final é rico porque mistura apresentação oral, escuta ativa e pensamento crítico.
Ao longo de tudo isso, os alunos praticam leitura crítica, produção de texto argumentativo, trabalho em equipe e comunicação oral. A atividade conecta o conteúdo escolar com algo que os alunos já conhecem do cotidiano: a propaganda está em todo lugar, e entender como ela funciona é uma habilidade real e necessária. O professor atua como mediador, circulando pelos grupos, fazendo perguntas que provocam reflexão e garantindo que todos participem de forma ativa e respeitosa.
O principal foco aqui é fazer os alunos perceberem que a linguagem tem intenção. Quando eles analisam uma propaganda real e depois criam a própria, passam a entender na prática o que é um argumento, o que é uma escolha de palavra, o que é persuasão. Essa experiência concreta torna o conteúdo de produção textual muito mais significativo do que apenas copiar definições do caderno. A apresentação oral no final fecha o ciclo: os alunos precisam defender suas escolhas, o que exige clareza de pensamento e capacidade de comunicar ideias.
O conteúdo desta aula gira em torno do texto publicitário como gênero discursivo com função social clara: convencer. Para isso, os alunos precisam entender não só a estrutura do texto, mas também como imagem, cor, tipografia e slogan trabalham juntos para criar sentido. A análise de propagandas reais serve de ponto de partida para que os alunos construam esse repertório antes de produzirem a própria peça. A dimensão crítica aparece quando eles percebem que a propaganda pode reforçar estereótipos ou manipular emoções.
A aula usa a metodologia de atividade mão-na-massa, o que significa que os alunos aprendem fazendo. A análise inicial é conduzida de forma dialogada, com o professor mediando a leitura das propagandas e lançando perguntas que provocam reflexão. Depois, os grupos trabalham com autonomia para criar suas peças, tomando decisões reais sobre linguagem, visual e estratégia. Essa combinação de análise crítica e produção criativa mantém o engajamento alto e garante que o conteúdo seja experimentado, não apenas explicado.
Com apenas uma aula de 60 minutos, o tempo precisa ser bem distribuído para que todas as etapas aconteçam sem atropelos. A ideia é que a análise inicial seja rápida e focada, deixando a maior parte do tempo para a produção em grupo e a apresentação. O professor deve avisar os grupos quando faltarem 10 minutos para o fim da produção, para que todos consigam finalizar e participar do debate.
Momento 1: Análise coletiva de propagandas impressas reais (Estimativa: 10 minutos)
Inicie a aula distribuindo para cada grupo de alunos pelo menos dois exemplos de propagandas impressas variadas, recortadas de revistas ou impressas previamente. Escolha peças com públicos-alvo diferentes — uma voltada para crianças, outra para adultos, por exemplo — para ampliar o repertório de análise. Conduza a observação com perguntas disparadoras direcionadas à turma toda: 'O que esse slogan quer fazer você sentir?', 'Quem você acha que compraria esse produto?', 'Por que essa imagem foi escolhida e não outra?'. É importante que você não dê as respostas de imediato, mas provoque a reflexão dos alunos antes de sistematizar qualquer conceito. Permita que diferentes alunos se manifestem e valorize respostas diversas, mesmo as parcialmente corretas, usando-as como ponto de partida para aprofundar a análise. Observe se os alunos conseguem perceber a relação entre imagem e texto, e se identificam a quem a propaganda se dirige. Ao final desse momento, faça uma síntese rápida na lousa com os principais elementos identificados: slogan, apelo emocional, argumento de autoridade, público-alvo e escolha de imagens. Essa síntese servirá como referência visual durante toda a aula.
Momento 2: Formação dos grupos e entrega dos produtos fictícios (Estimativa: 5 minutos)
Organize a turma em grupos de 3 a 4 alunos. Prefira formar os grupos com antecedência para otimizar o tempo, evitando disputas ou exclusões. Distribua para cada grupo um cartão com o nome e a descrição do produto fictício que deverão usar na criação da propaganda — por exemplo: 'Tênis Voador – para quem não quer parar', 'Suco Zen – a calma que você precisava' ou 'Mochila Infinita – cabe tudo e ainda sobra espaço'. É importante que os produtos sejam variados entre os grupos para que as apresentações finais sejam ricas e diversificadas. Oriente os alunos a lerem o cartão com atenção e a discutirem brevemente, antes de começar, quem será o público-alvo do produto e qual será o tom da propaganda — divertido, sério, emocionante. Esse alinhamento inicial evita retrabalho durante a produção. Certifique-se de que todos os materiais já estejam disponíveis nas mesas: papel sulfite ou A3, canetas coloridas, lápis de cor, revistas velhas, tesoura, cola e fita adesiva.
Momento 3: Produção da propaganda em papel — slogan, texto e layout (Estimativa: 25 minutos)
Este é o momento central da aula. Os grupos trabalham de forma autônoma para criar a propaganda do produto fictício recebido, utilizando exclusivamente materiais físicos — sem celulares, tablets ou computadores. Oriente os alunos a estruturarem a produção em três etapas: primeiro definir o público-alvo e o argumento principal; depois criar o slogan; e por fim montar o layout visual com texto, imagens recortadas e elementos gráficos feitos à mão. Circule pelos grupos de forma ativa, fazendo perguntas que provoquem reflexão sem dar respostas prontas: 'Esse slogan convence quem?', 'Que sentimento vocês querem despertar em quem vê essa propaganda?', 'A imagem que escolheram combina com o que o texto diz?'. É importante que você anote em uma ficha simples de observação se cada grupo conseguiu definir o público-alvo antes de escrever, se o texto apresenta pelo menos um argumento claro e se todos os membros estão participando ativamente. Caso algum grupo esteja travado, ofereça um exemplo análogo: 'Pense em como uma propaganda de tênis famosa faz você se sentir. O que ela promete além do produto em si?'. Estimule a criatividade e valorize soluções inusitadas, desde que coerentes com o produto e o público escolhidos. Ao sinal de que restam cerca de 5 minutos, avise os grupos para finalizarem e se prepararem para afixar as peças.
Momento 4: Exposição das peças e apresentação oral dos grupos (Estimativa: 15 minutos)
Peça que cada grupo afixe sua propaganda na parede ou na lousa usando fita adesiva, criando uma pequena galeria de publicidade na sala. Dê um ou dois minutos para que todos circulem e observem as peças dos colegas antes das apresentações começarem. Em seguida, cada grupo tem de 2 a 3 minutos para apresentar oralmente suas escolhas: qual é o produto, quem é o público-alvo, por que escolheram aquele slogan, que argumento usaram no texto e como pensaram o layout. Oriente os apresentadores a explicarem as decisões criativas, não apenas descreverem o que fizeram. É importante que você garanta que todos os membros do grupo participem minimamente da apresentação, mesmo que de formas diferentes — um pode falar do slogan, outro do layout, outro do argumento. Observe se os alunos conseguem usar o vocabulário trabalhado na análise inicial — termos como 'apelo emocional', 'público-alvo', 'argumento' — ao justificar suas escolhas. Esse é um indicador relevante de aprendizagem. Incentive a turma a ouvir com atenção e respeito, pois o momento seguinte depende dessa escuta ativa.
Momento 5: Debate coletivo sobre estratégias de persuasão e leitura crítica (Estimativa: 5 minutos)
Conduza um debate rápido e mediado com a turma toda. Faça perguntas que estimulem o pensamento crítico: 'Qual propaganda de hoje vocês acharam mais convincente? Por quê?', 'Alguma delas poderia ser considerada manipuladora ou exagerada?', 'Vocês perceberam algum estereótipo nas imagens ou nas palavras escolhidas?'. É importante que você não julgue as produções dos alunos de forma negativa, mas use eventuais equívocos como oportunidade de aprendizagem coletiva. Permita que os alunos discordem entre si, desde que o façam com respeito, e intervenha para aprofundar os pontos mais relevantes. Encerre o debate com uma síntese oral destacando o que a turma aprendeu sobre persuasão, público-alvo e leitura crítica. Como fechamento, proponha a autoavaliação rápida: cada aluno responde mentalmente ou por escrito a três perguntas — 'O que eu aprendi sobre persuasão hoje?', 'O que meu grupo fez bem?' e 'O que eu mudaria na nossa propaganda?' — e você pode recolher as respostas escritas como retorno sobre o aprendizado real da turma.
Estratégias de inclusão e acessibilidade:
Como a turma não apresenta condições ou deficiências específicas identificadas, as orientações a seguir têm caráter preventivo e inclusivo, voltadas para garantir a participação plena de todos os perfis de alunos presentes em qualquer turma do 7º ano.
Para alunos com maior dificuldade de leitura ou escrita, permita que a contribuição no grupo seja mais voltada para a criação visual — recortes, organização do layout, escolha de cores — sem que isso os exclua da discussão oral. Valorize publicamente essas contribuições durante a apresentação do grupo.
Para alunos mais tímidos ou com dificuldade de fala em público, combine previamente que eles podem apresentar apenas uma parte pequena da propaganda — como o slogan — enquanto os colegas complementam. Nunca force a exposição oral, mas incentive com segurança e acolhimento.
Para alunos que tendem a dominar o grupo e falar por todos, atribua papéis claros durante a produção — um responsável pelo texto, um pelo slogan, um pelo layout — de modo que todos tenham uma função definida e ninguém fique à margem.
Durante a circulação pelos grupos, fique atento a alunos que estejam desengajados ou isolados dentro do grupo e faça intervenções gentis e diretas: 'O que você acha dessa escolha de imagem?' ou 'Você tem alguma ideia para o slogan?'. Pequenas perguntas direcionadas podem reintegrar um aluno ao processo colaborativo sem constrangimento.
Você está fazendo um trabalho valioso ao criar um espaço de aprendizagem ativo, criativo e crítico. Mesmo sem recursos digitais, essa aula oferece aos alunos uma experiência rica e significativa — e sua presença atenta e mediadora é o principal recurso de inclusão disponível.
A avaliação desta atividade acontece em dois momentos principais: durante a produção e na apresentação final. O professor observa como cada grupo toma decisões, se todos participam e se conseguem justificar suas escolhas. Não se trata de avaliar só o produto final, mas o processo todo. O debate no encerramento também é um momento avaliativo importante, pois revela se os alunos conseguem aplicar os conceitos de persuasão de forma crítica.
Todos os materiais desta aula são analógicos e de baixo custo, o que garante que a atividade funcione em qualquer contexto escolar. As propagandas impressas para análise podem ser recortadas de revistas velhas ou impressas pelo professor com antecedência. O restante dos materiais é o que normalmente já existe na escola ou pode ser pedido aos alunos com alguns dias de antecedência.
Mesmo sem condições específicas diagnosticadas na turma, vale ficar atento a alguns sinais durante a atividade: aluno que se isola no grupo, que não consegue iniciar a produção ou que demonstra frustração com a parte escrita. Nesses casos, o professor pode sentar junto por alguns minutos, fazer perguntas simples para destravar o pensamento e sugerir que esse aluno assuma a parte visual da propaganda, se tiver mais facilidade. A atividade em grupo já é naturalmente inclusiva, pois distribui funções. O debate final deve ser mediado com cuidado para que vozes mais tímidas também apareçam.
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